28 de set de 2012

Ventos do Norte e Sul (Leste e Oeste) II



“Mais de 150 mil portugueses realizaram manifestações neste sábado (15) contra aumentos planejados de impostos que abalaram o consenso por trás da austeridade imposta por um resgate da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI). Milhares de pessoas também realizaram manifestações na Espanha, considerado o próximo país a precisar de resgate.” 

“Durante a Convenção Democrata manifestantes do movimento “Occupy” protestaram na cidade de Chatlotte contra a política do presidente Barack Obama.” 

“Manifestação em Tóquio pede fechamento de usinas nucleares.” 

“Mais de cem detidos em manifestação em Atenas.”

“Manifestações no Egito ganham caráter violento.” 

“Manifestação contra Putin mobiliza ao menos 11 mil na Rússia." 

“Atos contra a corrupção ocorrerão no 7 de Setembro. Os movimentos que surgiram nas redes sociais marcaram uma nova manifestação em Brasília.” 

“De tudo isso, vivido ou sentido, ou imaginado, mas sempre cruelmente sabido, de toda essa trama para aprisionar o homem, quer o seu corpo, quer as suas ideias, quer sobretudo o seu desejo profundo, quase selvagem, de liberdade, esta fábula trágica, que assim ou doutra maneira, funciona no mundo quando o homem é o lobo do homem, ou melhor, enquanto o homem explorar outro homem.” (Virgílio Martinho in O Grande Cidadão, Editora Arcádia, 1975.) 

“Ele sentia que instituições como a escola, a igreja, o governo e organizações políticas de toda espécie tendiam a dirigir o pensamento para fins, em vez de para a verdade, para a perpetuação de suas próprias funções e para o controle dos indivíduos subordinados a essas funções.” (Robert M. Pirsig in "Zen e a Arte da Manutenção de Motocicletas", Editora Paz e Terra, 1984.)

“... quanto a maiores detalhes, esta testemunha declara-se muda, embora possa-se desconfiar que o seu exultante patriotismo tenha se evaporado um pouco e vazado por alguma fresta no fundo de sua alma – pelo menos, desde que passou por certas experiências, ela se deu conta de que se interessa muito mais por homens, mulheres e crianças do que por fronteiras geográficas imaginárias...”  (Jack London in De Vagões e Vagabundos. Editora L&PM, 1997.)

“Concordo com você! Também não acredito em imaginárias fronteiras geográficas. Separar as pessoas cerceando-as em cidades, estados, países... O que importa você ter  nascido neste ou naquele lugar? Que diferença faz nascer nesta ou naquela região? Somos todos do planeta Terra! Somos humanos! Somos todos irmãos!” (in Os Nomes na Máquina, Editoras Canto Escuro e Hemisfério Sul, 2009.) 

“Quantas pobres almas imortais encontrei quase esmagadas e sufocadas sob suas cargas, arrastando-se pela estrada da vida [...]. os homens trabalham sob engano. O que o homem tem de melhor logo se mistura à terra para se transformar em adubo. Por um destino ilusório, geralmente chamado de necessidade, eles se dedicam, como diz um velho livro, a acumular tesouros que serão roídos pelas traças e pela ferrugem e roubados pelos ladrões. É uma vida de tolo, como vão descobrir quando chegarem ao final dela, ou talvez antes.” (Henry David Thoreau in Walden, Editora L&PM, 2010.) 

 “Em inglês medieval, a palavra progress significava uma ‘viagem’, em particular uma ‘viagem sazonal’ ou um ‘circuito’. [...] Em tibetano a definição do ‘ser humano’ é a-Gro ba, ‘aquele que vai’, ‘aquele que sai em migrações’. Da mesma forma, em arab (ou beduíno) é um ‘habitante das tendas’ em oposição a hazar, ‘aquele que vive em casa’. Embora por vezes até mesmo um beduíno deva fixar-se, preso a um poço do deserto durante a estação quente e seca de agosto: o mês que dá seu nome ao Ramadã (de rams, ‘queimar’). [...] a errância restabelece a harmonia original que certa vez existiu entre o homem e o universo.” (Bruce Chatwin in O Rastro dos Cantos, Companhia das Letras, 1987.) 

“Nossa era é retrospectiva. Constrói sepulcros aos antepassados. Escreve biografias, histórias e criticismo. As gerações anteriores olhavam Deus e a Natureza cara a cara; nós o fazemos através de seus olhos. Por que não desfrutaríamos também de uma relação original com o universo? Por que não haveríamos de ter uma poesia e uma filosofia que sejam fruto de nossa própria descoberta e não da tradição, e uma verdade que nos seja revelada, em lugar de ser a história daquela que foi revelada a eles? Respaldados por um tempo em meio à natureza, cujos transbordantes fluxos de vida nos rodeiam e permeiam, e incitados pelos poderes que nos fornece para atuar em harmonia com ela, por que exumar os ossos secos do passado e submeter essa geração a um baile de máscaras tiradas de seu armário velho? O sol brilha também hoje. Há ainda lã e linho nos campos. Há novas terras, novos homens, novas ideias. Permitam que busquemos nossas próprias obras e leis e cultos!” (Ralph Waldo Emerson in Natureza, Editora Dracena, 2011.) 

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